Campo de Concentração – Berlim – Dia 2 continuação

Continuando esse dia, 19 de Junho de 2018, com o objetivo de conhecer os principais pontos dedicados a história da Alemanha, não podíamos deixar de ir ao Campo de Concentração Sachsenhausen nos arredores de Berlim.

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Sachsenhausen foi um campo de concentração na Alemanha. Recebeu este nome, devido à região onde se localizava. Sachsenhausen fazia parte da cidade de Oranienburg em Brandemburgo. Sachsenhausen foi a primeira de uma série de instalações construídas pelos nazistas, para confinar ou liquidar em massa opositores políticos, judeus, ciganos, homossexuais, Testemunhas de Jeová, e, posteriormente, milhares de prisioneiros de guerra.

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Sachsenhausen começou a entrar em operação a partir de 1936; três anos depois da chegada de Hitler ao poder e funcionou até 1945 sob o regime nazista. Este campo de concentração é um dos mais antigos campos de concentração da Alemanha nazista.

Depois do fim da II guerra, como aquela área era de território soviético, os russos utilizaram o campo de Sachsenhausen até 1950. Os prisioneiros políticos dessa vez passaram a ser ex-oficiais nazistas e pessoas que eram contra o comunismo.

O campo de concentração Sachsenhausen não foi um campo de extermínio como era Auschwitz, mas isso não significa que pessoas não foram executadas. Em poucos dias entre 13 e 18 mil prisioneiros soviéticos foram executados num processo verdadeiramente industrial. Além disso, a taxa de mortalidade dos presos por doenças, desnutrição e maus tratos era enorme. Mesmo não sendo um campo de extermínio, havia os fornos para cremação em massa.

O que vimos em nossa visita a Sachsenhausen:

Logo na entrada do Campo existe um mapa de metal em alto relevo, com todas as indicações do campo nazista original de 1936.

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Entrando no museu do campo e pegando o audio guia, você logo se depara com a primeira demonstração de dor de tantas pessoas que por ali passaram.

Uma garrafa quebrada, uma carta escrita por um prisioneiro em 1944 e que só em  2003 foi descoberta por um trabalhador da construção civil depois de ter demolido uma parede divisória no piso térreo. Entre os destroços e cacos de vidro, ele encontrou um pedaço de papel – com o seguinte texto:

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“Eu quero voltar para casa de novo. Desde 9 de março de 1937 no Campo de Concentração Sachsenhausen. Hoje é 19 de abril de 1944. Quando que eu verei meu amor em Frechen, Colônia mais uma vez? Mas meu espírito está intacto. As coisas devem melhorar em breve. Anton Engermann, nascido em 10 de junho de 1902.”

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Logo de cara, na entrada do campo de concentração, nosso coração já ficou apertado. O que veríamos pela frente iria nos chocar ainda mais.

Saindo da entrada do museu, caminhamos por um caminho bem comprido e com muitos painéis com fotos e informações sobre tudo que acontecia ali.

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Uma comissão Soviética está investigando o crime no Campo de Concentração Sachsenhausen. “…apenas por um crime e lá eu vi esta miséria horrível, eu vi o quartel, vi as pessoas famintas em esqueletos, quase nuas. Isso foi em Maio. Então fomos levados. Vi as pilhas de cabelo, as pilhas de óculos e sapatos, e eu estava tão devastada, eu pensei e ainda hoje acho – que crime inacreditável aconteceu lá. Helga Heinrich – Oranienburg
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Memorial em homenagem as vitimas do Campo de Concentração de Sachsenhausen.

 

Depois de caminhar por este imenso corredor, por onde milhares de prisioneiros também caminharam, nos deparamos com a entrada principal do campo.

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Torre de comando na entrada do Campo de Concentração

Um prédio, onde ficava a torre de comando e controle do campo. No topo da torre de controle, existe um relógio, que marca 11:07 e  dizem estar marcando exatamente o horário em que as tropas soviéticas libertaram o campo das mãos de Hitler.

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Chegando perto do prédio é fácil avistar o portão de ferro com os dizeres “Arbeit Macht Frei”“O trabalho Liberta”, que marca a passagem dos prisioneiros para o que seria provavelmente o fim de todos que chegassem ali.

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Mas o mais incoerente é que muitos eram atraídos ao local achando que se tratava de um asilo do governo e que seriam tratados dignamente. A rádio do governo prometia abrigo e alimentação a todos, porém ao chegarem percebiam que não era nada disso. Cada um recebia apenas um pijama listrado e a certeza da iminência da morte. Um triângulo em cores diferentes indicava a razão do aprisionamento. Triângulo vermelho para presos políticos, amarelo para judeus, roxo para religiosos, rosa para homossexuais, preto para os marginalizados socialmente.

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Ao redor de todo o campo existia o que os Nazistas chamavam de Zona Neutra, um local com arame farpado e cerca elétrica. Quem quer que pisasse na zona neutra era imediatamente fuzilado.

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Muitos prisioneiros sabendo que seriam mortos se entrassem nesse local, faziam isso de propósito para se pouparem de mais sofrimento. Porém, os soldados percebendo que eles estavam tentando se suicidar, atiravam apenas em seus pés e braços e ainda diziam que eram eles que decidiam a hora que os prisioneiros tinham de morrer, que suas vidas estavam nas mãos dos nazistas. É muito difícil imaginar tanta crueldade.

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Barracões do Campo de Concentração

 

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ESTAÇÃO Z – ZONA DE FUZILAMENTO

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A Torre A (primeira letra do alfabeto) era a entrada do campo de concentração, a estação Z, sendo a última letra do alfabeto, era o ponto final dos prisioneiros no campo. Este era o lugar onde os prisioneiros eram exterminados por fuzilamento.

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Memorial aos prisioneiros mortos
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Local onde batatas eram descascadas para alimentação dos prisioneiros.

 

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Obelisco que foi construído em 1961 em memória das vítimas e da libertação do campo; É marrom, e nele os 18 triângulos laranjas representam as nacionalidades das vítimas que passaram pelo acampamento. e, na base do obelisco, uma estátua que descreve um soldado soviético libertando dois prisioneiros.

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Moveis que eram utilizados pelos prisioneiros.

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Pijama listrado usado pelos prisioneiros
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Local de enforcamento de prisioneiros

 

Conhecer o Campo de Concentração Sachsenhausen, foi uma das experiências mais marcantes que já vivemos, estar ali,  no lugar onde tudo aconteceu, ver os locais onde milhares de pessoas sofreram e  foram executadas foi triste e angustiante, a sensação de sentir aquela energia pesada foi bem ruim, mas ao mesmo tempo um aprendizado que vamos levar para a vida toda.

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